quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Fernando Marroni: “Não dá para votar novo Código Florestal no mês de março

Bancada do PT na Câmara dos Deputados tenta adiar a votação do polêmico projeto para abril ou mais tarde, em nome da intensificação do debate.

Por Igor Natusch - Sul21
          A votação do novo Código Florestal, que tem provocado muita discussão entre ambientalistas e representantes do agronegócio, está prevista inicialmente para o mês de março. O redator do projeto, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), é um dos que defende o cumprimento do prazo, decidido na legislatura passada. No entanto, se depender da bancada petista na Câmara Federal, a decisão deve ficar para um pouco mais tarde. Em reunião ocorrida na tarde de terça-feira (15/02), a bancada elaborou um cronograma, no qual a votação é adiada em nome da intensificação dos debates em torno do polêmico projeto. “Talvez seja possível votar em abril. Queremos votar no primeiro semestre, mas é preciso debater mais”, diz Fernando Marroni (PT-RS), em entrevista para o Sul21.
         Segundo o deputado, vários pontos significativos do projeto, como a anistia aos desmatadores e as alterações nas Áreas de Preservação Permanente, “não podem passar” do jeito que estão. Para diminuir a insatisfação dos setores ligados à preservação ambiental, o Ministério do Meio Ambiente está elaborando um substitutivo, junto a outras pastas do governo federal, no qual esses pontos são modificados.
        Logo após a reunião do grupo de trabalho do PT encarregado de discutir as mudanças, Fernando Marroni conversou por telefone com o Sul21. Na entrevista, explicitou os pontos que causam maior desconforto à bancada petista, e rebateu as alegações de setores ligados ao agronegócio, que dizem que a atual lei inviabiliza o aumento da produtividade e criminaliza a produção rural. E garantiu: caso os pontos polêmicos permaneçam no texto, o novo Código Florestal não será votado no mês que vem. “Os que querem votar agora são os querem que o Código passe do jeito que está. E isso nós não estamos dispostos a aceitar”, assegurou.
Sul21 – A bancada petista reuniu-se hoje para discutir o posicionamento quanto ao novo Código Florestal. O que saiu da reunião?
Fernando Marroni – O problema é o seguinte: pelo menos 40% do Congresso está assumindo agora, sem nenhuma ideia do que está sendo debatido (sobre o novo Código). Não dá para pegar o que foi discutido na Comissão Especial de outra legislatura, levar ao plenário e colocar em votação. Tem que haver um debate sobre isso. Nós do PT já tínhamos apresentado um voto em separado, deixando claro que não concordávamos com a anistia (aos desmatadores), com a diminuição das Áreas de Preservação Permanente, que queríamos a proteção dos mananciais hídricos… Nós também não concordamos com um termo que foi colocado no relatório, que fala em imóvel rural, ao invés de propriedade rural, porque um produtor rural pode desmembrar sua propriedade em vários imóveis e fugir da legislação. Então, temos uma série de pontos que é preciso discutir. Nós achamos que o relatório do deputado Aldo Rebelo avança, introduz temas atuais. Mas existem esses pontos, que não podem ser votados (sem discussão). Então, estamos fazendo esse debate dentro do partido. Tivemos essa primeira reunião, na qual elaboramos um cronograma. O Ministério do Meio Ambiente já está elaborando um substitutivo, fomos informados sobre isso. Então, nós achamos que não dá para votar no mês de março.

Sul21 – Então, é real a possibilidade de que o texto não seja votado no mês que vem?
FM – Sim, a possibilidade existe. Nós achamos que não há tempo suficiente para fazer um debate que levou seis meses na outra legislatura assim, a toque de caixa, com um cronograma de carnaval pelo meio.
Sul21 – Mas o deputado federal Aldo Rebelo, redator do novo Código, nos disse que havia um acordo entre as bancadas para que a votação acontecesse em março.
FM – O acordo foi feito na legislatura passada. Levando em conta a nova realidade do Congresso Nacional, a entrada de um novo governo, isso pode ser alterado. E sem prejuízo. Mais 30 dias, 60 dias ou 70 dias para o debate não vai criar problemas. Os que querem votar agora são os querem que o Código passe sem debate, assim como está. E isso nós não estamos dispostos a aceitar.
Sul21 – O senhor acredita, então, que não houve debate suficiente sobre o assunto nos últimos anos?
FM – A lei do Código Florestal em vigor no Brasil é de 1965. E o legislador, na época, foi muito prudente com relação aos temas ambientais. Hoje, mais do que nunca, a pauta ambiental interessa ao planeta inteiro. Inclusive com relação aos desastres nas áreas urbanas – e o relatório atual é omisso com essa questão, não toca no assunto das áreas urbanas. Com as mudanças climáticas, com os desastres ambientais que estamos vivendo, com toda essa polêmica que envolve o clima do planeta, não podemos ter um projeto (no Brasil) que trate apenas dos problemas mais imediatos. Não podemos nos basear em alguns argumentos colocados pela bancada ruralista, embasados no parecer de um único técnico da Embrapa, não sendo nem mesmo uma posição oficial da Embrapa como um todo. Aliás, pelo contrário: a Embrapa tem sustentado que é possível dobrar a produção agrícola do Brasil sem ter que derrubar mais nenhum hectare de árvores. Temos exemplos nesse sentido na Região Sul, que nós estamos trabalhando junto com a Embrapa na questão do milho. Nós temos, na pequena agricultura, 12 mil hectares de milho plantado, e a nossa produtividade é de 50 sacas por hectare. Nos Estados Unidos, são 250 sacas (por hectare). Não queremos adotar o modelo norte-americano no Brasil, mas não é possível que a gente continue produzindo apenas 50 sacas por hectare, que é um ritmo de produção do Século XVIII! Temos tecnologia suficiente, hoje, para aumentar a produção brasileira, sem adotar esse argumento dos ruralistas de que não é possível produzir mais na área que temos atualmente. Então, esse é o debate estratégico que precisa ser feito no Brasil. É muita coisa para ser tratada no afogadilho.
Sul21 – Os produtores rurais defendem que é necessário mudar alguns critérios em relação às Áreas de Preservação Ambiental, para que o Brasil possa produzir mais alimentos…
FM – Não temos dúvida de que o governo tem que chegar a uma compensação pelos serviços ambientais para a pequena propriedade, para não inviabilizar a produção. Também é possível permitir algumas coisas nas áreas de preservação dos mananciais hídricos, como o cultivo de frutas, que não movimenta constantemente o solo. Esse tipo de flexibilização é possível. Mas, por exemplo, em encosta de morro com inclinação de 25 a 45 graus, permitir corte no topo do morro é sinônimo de deslizamento. Isso já está mais do que comprovado, não podemos deixar isso passar. Agora, áreas consolidadas de vinho no Rio Grande do Sul, ou de maçã em Santa Catarina, podem ter um licenciamento negociado, que não crie riscos de desmoronamento ou algo semelhante. O que não dá é para fazer uma regra geral de que está liberado topo de morro, que está liberado encosta, como está previsto na atual proposta de Código Florestal.
Sul21 – Em conversa conosco, o deputado Aldo Rebelo atribuiu as críticas feitas ao novo Código à “desinformação” de ONGs e entidades ambientais, que acabam sendo reproduzidas por outros setores políticos e sociais. O que o senhor pensa dessa posição?
FM – Eu vejo isso como uma defesa dele, e não como uma afirmação que represente a realidade.
Sul21 – E quanto à anistia aos desmatadores? Entidades ambientais acreditam que, se aprovada, essa anistia será praticamente a legalização do desmatamento. O senhor concorda?
FM – Nós temos um passivo de mais de R$ 10 bilhões em multas para propriedades rurais. Imagina o que significaria uma anistia, levando em conta esse valor. Se a anistia for aprovada, além de não haver necessidade de recuperar as áreas desmatadas, os infratores não vão ter que arcar com as consequências dos crimes que cometeram. Isso é um incentivo ao desmatamento. Seria uma ação antipedagógica.
Sul21 – Mas representantes do agronegócios defendem exatamente o contrário. Dizem que a atual legislação os criminaliza, que é praticamente inevitável que um produtor rural acabe descumprindo a lei…
FM – A única atividade econômica, no Brasil, que não precisa de licença ambiental é a agricultura. Outro dia, ouvi um argumento de um produtor rural dizendo “a terra é minha, como o governo vai confiscar 20% da minha produção?” E eu respondi dizendo que uma fábrica ou uma indústria precisa ter todo o regramento dos impactos ambientais. Os empresários precisam fazer investimentos para tratar da água, das emissões de carbono… Por que a atividade rural vai ficar isenta disso? Não se trata de confisco, como alguns falam, e sim de algo muito importante, inclusive para a agricultura. Cerca de 70% da água do mundo é usada na agricultura, só 30% vai para consumo humano. Se os mananciais hídricos não forem preservados, não tem agricultura. Mesma coisa o mercado de créditos de carbono, que já é uma realidade mundial, precisamos nos aproximar disso. Precisamos ter uma visão estratégica de futuro, e não pensar de forma imediatista. Em termos imediatos, na minha opinião, o governo deve compensar (os produtores rurais) pelos serviços ambientais, diminuir os impactos do novo Código sobre o sistema produtivo. O Brasil é uma potência agrícola, e ninguém quer que deixe de ser. Mas não (pode ser) a qualquer custo.
Reproduzido do Sul21 com autorização para a EcoAgência.
Leia também:
Sul21/EcoAgência

FONTE:

http://www.ecoagencia.com.br/?open=noticias&id=VZlSXRVVONlYHpkcXxmVhN2aKVVVB1TP

GAE - Grupo pela Abolição do Especismo - Porto Alegre -

A SOBERBA VIVISSECCIONISTA

por Sônia Felipe

GAE - Grupo pela Abolição do Especismo - Porto Alegre -
Má conduta científica triplica em 16 anos nos EUA

Por RICARDO MIOTO

             Há cada vez mais sujeira por baixo dos jalecos brancos: nunca antes os Estados Unidos, grande potência científica mundial e pioneiro na tentativa de coibir fraudes nos laboratórios, teve tantos problemas com desvios de conduta de pesquisadores.
        Casos como o de Marc Hauser, biólogo afastado de Harvard há uma semana acusado de distorcer dados em uma pesquisa sobre aprendizado em pequenos macacos, quase triplicaram nos últimos 16 anos.
       Em 1993, quando o governo federal dos EUA criou uma agência para o assunto, a ORI (Agência para a Integridade em Pesquisa, na sigla em inglês), foram relatadas 86 denúncias de desvios.
       Em 2009, foram 217, número recorde. O país gastou cerca de US$ 110 milhões investigando esses casos.
Historicamente, um terço das investigações resulta em punição --em geral, afastamento de cargos e verbas públicas.




        O número foi apresentado pela equipe de Arthur Michalek, biólogo do Instituto Roswell Park (de Nova York), na edição de ontem da revista científica "PLoS Medicine".
        "Humanos são humanos, alguns vão se deixar seduzir e usar certos atalhos em busca do sucesso, por mais antiéticos que eles sejam", disse à Folha. "A esmagadora maioria dos cientistas são éticos. Infelizmente, trapaças de poucos mancham o trabalho duro do resto de nós".
       Humanos sempre foram humanos, claro, e fraudes existem desde sempre.
        O homem de Piltdown é citado com frequência como a maior mentira da história da ciência, e o caso é de 1908.
            Na época, foram apresentados fósseis de um suposto elo perdido entre humanos e primatas. Só em 1953 a fraude foi comprovada: tratava-se, na verdade, de uma mistura deliberada de ossos humanos e de orangotango.
        Os números americanos, porém, mostram a má conduta ganhando espaço.
           Para Sílvio Salinas, 67, físico da USP, a tentação é maior entre as gerações mais novas. "Hoje em dia, há uma enorme pressão, uma grande disputa por posições", diz. "Mas os bárbaros não tomaram conta da ciência ainda."

FONTE:

http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/784764-denuncias-de-fraudes-no-brasil-envolveram-alto-escalao-da-usp.shtml
Aluna é humilhada por professora ao se recusar a dissecar sapo durante aula


Sarah é ativista pelos animais (Foto: Lexey Swall)
         Uma estudante da 7ª. série da Flórida, EUA, Sarah Wingo, de 13 anos, foi humilhada por sua professora ao se recusar a dissecar um sapo em sala de aula.
         Sarah, que é ativista da PETA, não acredita na vivissecção como metodologia de estudo. “Não acredito que os animais devam ser dissecados e usados em testes quando temos alternativas que podem ser postas em prática, sem a necessidade de machucá-los”.
        Segundo informações do canal “Fox 4, Sarah disse que sua professora sabia de sua oposição ao experimento. Entretanto, no dia da dissecação, a professora simplesmente jogou um sapo em sua mesa. Neste momento, Sarah começou a chorar e a professora se afastou rindo. “Senti que ela estava debochando de mim e tentando me atingir”.
         Após o incidente, Sarah contou a história a sua mãe, que foi imediatamente falar com a diretora da escola. A diretora disse à mãe de Sarah que já estava há tempo suficiente no ramo pra saber que nada iria acontecer. Mas Sarah tinha seus próprios planos e avisou a PETA, que entrou em ação.
         O ativista Justin Goodman declarou: “Estamos acionando o departamento de administração das escolas públicas e o Estado para garantir que a professora seja removida de sua posição. As leis estaduais e a política da escola preveem isso. Além disso, nos oferecemos para fornecer à Escola de Ensino Médio North Naples ferramentas de aprendizagem modernas e humanas para o ensino de Biologia, como programas interativos de computador que substituem completamente a dissecação animal”.
         O departamento de administração das escolas públicas divulgou uma declaração dizendo que estão investigando o caso.
        No fichário de Sarah há adesivos com frases do tipo: “Mostre respeito e não disseque. Mate aula, não sapos”.
         Clique aqui para assistir ao vídeo da reportagem (em inglês), feita pelo canal “abc-7.
FONTE:

Conservação privada é essencial


FONTE:

http://www.oeco.com.br/reportagens/24834-codigo-florestal-conservacao-privada-e-essencial
Cientistas: alterações no Código Florestal não melhoram produtividade

         Cientistas da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e da Associação Brasileira de Ciência (ABC) sustentam que as alterações do Código Florestal previstas no substitutivo do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) ao Projeto de Lei 1876/99 serão desastrosas para a preservação ambiental no Brasil. Além disso, atestam que essas alterações não são necessárias para melhorar a produtividade da agropecuária brasileira.
        De acordo com o professor da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (Esalq) Gerd Sparoveck, mesmo que o código atual seja integralmente cumprido, sobram 103 milhões de hectares de vegetação desprotegidos. Segundo ele, isso se deve ao fato de 294 milhões de hectares de vegetação nativa encontrarem-se em propriedades privadas. Apenas 170 milhões de hectares encontram-se em unidades de conservação e em terras indígenas.
        O professor da Esalq Ricardo Rodrigues ressaltou que, mesmo com o respeito integral ao código, o proprietário rural ainda conta com 70% da propriedade para fazer o uso que quiser.
Margens de rios

       O ponto mais criticado do substitutivo de Aldo Rebelo é a redução das áreas de preservação permanente (APPSão faixas de terra ocupadas ou não por vegetação nas margens de nascentes, córregos, rios, lagos, represas, no topo de morros, em dunas, encostas, manguezais, restingas e veredas. Essas áreas são protegidas por lei federal, inclusive em áreas urbanas. Calcula-se mais de 20% do território brasileiro estejam em áreas de preservação permanente (APPs). As APPs são previstas pelo Código Florestal. Os casos excepcionais que possibilitam a intervenção ou supressão de vegetação em APP são regulamentados pelo Ministério do Meio Ambiente.), principalmente nas margens de cursos d'água. O texto reduz a extensão de vegetação de 30 metros para 15 metros no caso de rios e córregos com até 5 metros de largura.
         O professor Ricardo Rodrigues ressalta que são exatamente esses rios menores que mais necessitam de proteção. “São eles que mais sofrem assoreamento e, por isso, precisam mais proteção”, sustenta. De acordo com ele, esses rios são responsáveis por quase 70% dos recursos hídricos do Brasil.
        Já o professor da Unicamp Carlos Alfredo Joly ressaltou que a redução da cobertura nativa tanto em leitos de córregos e rios quanto em topos de morros e encostas pode levar à extinção uma série de espécies. “Com a mudança da área de preservação em margens de rio de até 5 metros de largura, metade dos anfíbios desapareceria”, asssegurou.
Tratamento de água

        O professor chamou a atenção também para o aumento dos custos com tratamento de água, devido ao aumento da contaminação. Segundo ele, hoje São Paulo gasta entre R$ 2 e R$ 3 para tratar mil metros cúbicos de água. “Com a contaminação por agrotóxicos, o custo sobe para um valor entre R$ 250 e R$ 300 pela mesma quantidade.”
         Os pesquisadores fazem parte de um grupo que se reuniu para estudar a proposta de Aldo Rebelo de alteração do Código Florestal e participam do Seminário Código Florestal: Aspectos Jurídicos e Científicos.

        Promovido pela Frente Parlamentar ( É uma associação suprapartidária destinada a aprimorar a legislação referente a um tema específico. As frentes podem utilizar o espaço físico da Câmara, desde que suas atividades não interfiram no andamento dos outros trabalhos da Casa, não impliquem contratação de pessoal nem fornecimento de passagens aéreas. As frentes parlamentares estão regulamentadas pelo ato 69/05, da Mesa Diretora. Em tese, deveriam conter 1/3 dos integrantes d Legislativo, mas na prática esse piso não é exigido)  Ambientalista, o evento ocorre no plenário 2.
Íntegra da proposta:
Reportagem - Maria Neves
Edição - Regina Céli Assumpção

FONTE:

http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/MEIO-AMBIENTE/193877-CIENTISTAS:-ALTERACOES-NO-CODIGO-FLORESTAL-NAO-MELHORAM-PRODUTIVIDADE.html
A lógica do salário mínimo

por Nildo Ouriques

          O debate acerca do salário mínimo expõe os limites do capitalismo no país. Por um lado, os interessados em mostrar um país forte, alegando a existência da nova classe média e um poderoso mercado interno de massas, consideram R$ 600,00 uma "irresponsabilidade", como afirmou o presidente da CNI. Tudo isso num país em que 2/3 da força de trabalho recebe até três salários mínimos!   

        O DIEESE divulga há muitos anos o cálculo do salário mínimo necessário. Trata-se de um conceito decisivo, pois expressa o valor para remunerar adequadamente um trabalhador e sua família: R$ 1.972,64, nos preços de abril de 2009. A análise do desenvolvimento capitalista nos países centrais revela a importância do salário para o fortalecimento do capitalismo.   

        Salários elevados vitalizavam o mercado interno e forçavam a renovação tecnológica, pois o empresário era induzido a substituir a mão-de-obra por máquinas. Havia também o protecionismo do mercado interno que inibia a concorrência com os produtos de outros países, política que as potências ainda preservam e, de fato, principal instrumento de política comercial. É o caso típico dos Estados Unidos. Uma lição da economia política clássica do século XIX.   

        No Brasil, mesmo a ampliação do crédito ao consumidor revelou que não pode sustentar taxas elevadas de crescimento porque, ao fim e ao cabo, a capacidade de endividamento dos assalariados é pequena. O argumento de que o salário mínimo elevado ampliaria o rombo da previdência é, além das falsidades permanentemente divulgadas sobre o suposto déficit previdenciário, uma declaração de que o número de trabalhadores com carteira assinada não poderá aumentar jamais.   

          Enfim, no conjunto, o recado é claro: o mercado de trabalho será sempre "precarizado" para a maioria dos assalariados. A nova situação indica também, talvez mais cedo do que alguns ingenuamente imaginavam, que o tempo dos reajustes abaixo da inflação voltou. Aquela brevíssima primavera em que os trabalhadores arrancavam minúsculos ganhos de produtividade chegou ao fim.    

         No debate parlamentar, as imagens mostraram os antigos líderes sindicais trajando sóbrias gravatas e, sem inibição alguma, subindo a tribuna para justificar a política oficial. A cena é elucidativa. Na década de 80, na grande onda do protesto operário que abalou os pilares da ditadura e abriu de maneira definitiva o caminho para a "Nova República", os sindicalistas ganharam consciência de que somente no chão de fábrica poderiam conquistar seu quinhão, fruto exclusivo do ativismo sindical.   

         Mas a sedução parlamentar levou vários deles à condição de senadores e deputados e, mais importante, o principal líder operário da época à presidência da República. Agora, mesmo naqueles que protestaram no parlamento e, portanto, se mantinham fiéis à velha causa, certamente existiam ilusões acerca da possibilidade de vitória numa câmara de deputados dominada por empresários-políticos e políticos a serviço dos empresários.   

         Existem épocas em que os trabalhadores esquecem sua própria história de lutas, submetendo-se a uma espécie de "amnésia social", cujas conseqüências foram sempre graves para seus interesses. Assim, entre os que defendiam a política oficial e os que protestavam contra ela, havia algo em comum: a percepção de que a disputa agora é no parlamento. Nada poderia ser mais desastroso para futuras conquistas. Sem uma forte retomada do ativismo sindical nas fábricas, a renovação da práxis política entre os sindicalistas não será possível. Os tempos de austeridade que novamente se anunciam parecem reconstruir o terreno da disputa que originou o sindicalismo combativo no passado. Mas esta é apenas uma possibilidade.   

         Neste contexto, a decisão entre os míseros R$ 545,00 propostos pelo governo e os "generosos" R$ 600,00 da oposição não deixa dúvidas de que, para além da pedagogia da migalha implícita no debate, a classe trabalhadora não pode ter ilusões do lugar reservado a ela no capitalismo brasileiro.  

Nildo Ouriques é professor do departamento de Economia da Universidade Federal de Santa Catarina.

FONTE:

http://www.correiocidadania.com.br/content/view/5530/9/

McDonald´s: Maus tratos e superexploração | BRASIL de FATO

McDonald´s: Maus tratos e superexploração BRASIL de FATO

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

A Declaração dos Direitos Animais é ignorada descaradamente pela maior parte da humanidade





         Há 33 anos, representantes de quase todos os países assinavam a Declaração Universal de Direitos dos Animais na sede da Unesco. Mas o que mudou de lá para cá? No Brasil, a primeira “lei de proteção aos animais” foi criada muito antes, pelo “verde precoce” Presidente Getúlio Vargas, em 1934. Esse Decreto nacional é detalhado e seria muito eficaz, se não fosse solenemente ignorado pelas autoridades e pessoas cuja crueldade já faz parte da rotina, tornando-se quase um estilo de vida, um jeitinho monstruoso de ser.
       Quem vê um poodle branco com roupinhas de babados e lacinhos coloridos mal consegue imaginar o que levou o ser humano a se aproximar dessa espécie tão distinta da nossa. Os antepassados destes bichos que hoje tanto estimamos eram espécimes de lobos de temperamento mais manso que apresentaram características favoráveis à guarda e à caça. Caíram nas graças do Homo sapiens quando se revelaram úteis, há milhares de anos.
        A participação dos animais em nosso cotidiano foi essencial para nossa sobrevivência e evolução. Pode-se traçar uma linha da história humana apenas analisando a relação homem-animal. Aos poucos, o ser humano reduziu sua dependência da caça, mas entrou em cena a pecuária. No Egito Antigo, os gatos eram idolatrados como representações divinas, e milhares de múmias de pets já foram encontradas (no caso dos egípcios, também alguns animais de estimação incomuns, como girafas e babuínos), mostrando o afeto que despertavam naquela civilização. Porém, durante a Idade Média, assistiu-se, além da caça às bruxas, a caça aos gatos, que ganharam um estigma de maldição que alimenta muitas superstições acerca destes felinos até hoje.
          E se deixamos de levar leões às lutas de arena, como se fazia na Roma Antiga, não deixamos de nos entreter com shows circenses nos quais animais apresentavam seus truques, muitas vezes aprendidos de maneira cruel. Com a produção industrial têxtil, a necessidade de matéria-prima animal para a confecção de roupas diminuiu, mas não o desejo luxurioso pelas peles de criaturas felpudas ou por belas escamas. Assim, apesar de conviverem juntos, homens e animais sempre tiveram uma relação que intercalava amor e admiração com medo e desprezo.
O lado cruel do desenvolvimento
        A humanidade cresceu e com ela se espalharam os vícios decorrentes da ideia de que todo o planeta pertencia aos seres humanos. A primeira extinção em massa contemporânea causada por seres humanos ocorreu antes mesmo do ano 1700, com o extermínio do dodô, uma ave terrestre de 1 m de altura que vivia nas ilhas Maurício, no oceano Índico. Este seria o primeiro de muitos biocídios que seriam cometidos dali em diante. Também o desenvolvimento científico que nos trouxe a tão elevado patamar de evolução custou a vida de muitas cobaias não humanas em laboratórios e experimentos. Basta ver o caso célebre da cadela Laika, enviada ao espaço na nave russa Sputnik II, em 1957, que poucos sabem que morreu por causa do superaquecimento dentro da nave.
        As manifestações em prol dos direitos dos nossos colegas não humanos sempre existiram, mas eram apenas iniciativas esparsas. Já na época do Renascimento, atribui-se ao brilhante pintor e inventor Leonardo da Vinci as seguintes palavras: “Haverá um dia em que o homem conhecerá o íntimo dos animais. Neste dia, um crime contra um animal será considerado um crime contra a própria humanidade.”
        Talvez o homem ainda nem mesmo tenha alcançado este nirvana de sensibilidade, mas enfim se deu conta de que não era mais cabível explorar, maltratar e dizimar as mesmas criaturas que sustentaram sua sobrevivência ao longo de milhares de anos. Adjetivadas como “radicais”, as ONGs de proteção animal realmente não medem esforço no combate contra os malfeitores. Dos ativistas um tanto ousados do Greenpeace aos mais singelos como os da ONG Pró-Muriqui, que trabalha para conscientizar a população quanto à importância desta espécie de macaco, a Peta (People Ethical Treatment of Animals), entidade mundialmente reconhecida pela ferocidade com a qual combate os abusos contra animais, é uma das mais expressivas. Com associados em todo o planeta, utiliza materiais de apoio que não raro incluem fotos chocantes de violência contra os animais – o que, muitas vezes, é necessário para tirar a população do escuro e fazê-la enxergar as atrocidades que o descaso e a ignorância humana permitem acontecer. “Os animais estão contando com pessoas que tenham compaixão para lhes dar voz e serem os seus heróis”, é um dos apelos da Peta.
Direitos dos animais
       Bruxelas, 27 de janeiro de 1978. Na sede da Unesco, é assinada a Declaração Universal dos Direitos dos Animais. O julgamento sobre a vida animal, que antes cabia apenas à consciência dos infratores e a algumas poucas leis que variavam de país para país, se torna regulamentado diante de toda a humanidade. As discussões estavam encerradas e agora era oficial: também as vidas não humanas mereciam leis que de fato levassem seus infratores a julgamento, equiparadas a um delito contra um ser humano. Mas todos os seus 14 artigos tiveram dificuldades para sequer sair do papel.
       O artigo 1.o – “Todos os animais nascem iguais perante a vida e têm os mesmos direitos à existência” – não combina com a realidade ainda atual. E, ao abrirmos os jornais, nos deparamos com sacrifícios em abatedouros e carrocinhas, vivisseções mal coordenadas, tráfico e caça de animais silvestres, peles para vestuário e decoração. E sempre aparece aquela alma cruel que ateia fogo a um cachorro porque julgou divertido. Não é necessário que se faça uma análise mais profunda para nos darmos conta de que, desde seu primeiro artigo, a Declaração é ignorada descaradamente pela maior parte da humanidade.
        Apesar de tudo, dizer que a situação não mudou a partir do momento em que se regulamentou essa lei universal seria um contrassenso. Deixamos de habitar um mundo onde era um costume sair para caçar por entretenimento e promover rinhas de galo ou de cães. Os abusos continuam acontecendo, mas a proibição, ao menos, levou-os à marginalidade e à ilegalidade. O que divertiria seres humanos há milhares de anos se tornou incabível de diversas maneiras. Nos últimos anos, diante de um cenário inegável de destruição, a necessidade de se proteger o planeta ganhou destaque na mídia e na consciência de empresários e governantes. E, com isso, o mundo voltou suas atenções novamente para aquela Declaração de 1978, e novas iniciativas vêm sendo tomadas.
No Brasil
         Como Presidente da República, Getúlio Vargas (que governou o país entre 1930-1945 e 1951-1954), além das importantes reformas sociais, foi um tanto “verde” para sua época. Em 1934, criou o Código Florestal Brasileiro e a Lei das Águas (bastante criticada por Monteiro Lobato por ser restritiva à extração do petróleo). No mesmo ano, criou o Decreto 24.645 (veja quadro), que estabelece medidas de proteção aos animais, o qual ficou conhecido como “Lei de Proteção aos Animais” e ainda está em vigor.
        O primeiro artigo do decreto contém uma bela mas ignorada premissa: “Todos os animais existentes no país são tutelados pelo Estado.” Já seu 16.o artigo, inicialmente de posicionamento vanguardista e evoluído perante a vida animal, foi transformado em uma falácia institucional: “As autoridades federais, estaduais e municipais prestarão aos membros das sociedades protetoras dos animais a cooperação necessária para fazer cumprir a lei”. E assim justifica-se a revolta das organizações civis, que assumem a responsabilidade do Estado abrigando animais abandonados, muitas vezes em condições lastimáveis, sem nenhum apoio governamental, invariavelmente atoladas em dívidas para tentar manter o bem-estar dos animais, cujo número cresce diariamente.
        Nas últimas décadas, a sociedade tem conquistado espaço para o tema no Poder Legislativo, elegendo políticos protecionistas que têm feito a diferença para a proteção em grande escala. Uma das propostas de maior destaque para pôr fim à crueldade contra os animais é a da Lei 7.291/06, que traz a proibição ao uso de animais nos circos.
       Esse projeto de lei foi encabeçado pelo Deputado Federal Ricardo Trípoli, cuja campanha possui firmes propósitos na proteção animal. “Notamos que o abandono e os maus-tratos são práticas cada vez mais frequentes”, ressaltou Trípoli acerca do projeto. “É passada a hora de encerrar a crueldade contra os animais.” Apesar de aprovada, a lei ainda não foi sancionada.
       Em 1998, a Lei Federal de Crimes Ambientais passou a prever, em seu artigo 32, que praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos pode render detenção, de três meses a um ano, e multa. Somam-se os seguintes parágrafos:
§ 1.o – Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos.
§ 2.o – A pena é aumentada de um sexto a um terço, se ocorre morte do animal.

Encontro de Libertação Animal discutiu soluções e caminhos para o abolicionismo


          Com o objetivo de afiar a filosofia de libertação animal para usá-la como uma ferramenta que ajude a desmantelar o atual sistema de dominação antropocêntrica (capitalista, patriarcal, tecnoindustrial) e não como uma alternativa de consumo “livre de crueldade”, realizamos um segundo Encontro de Libertação Animal, de 19 a 25 de janeiro, na região de Los Yungas, Bolívia.
       Cerca de 200 pessoas de diferentes partes do mundo compartilharam a partir de sua realidade, conceitos, erros, acertos, críticas e diferentes formas de interpretar e exercitar a libertação animal.
      A organização do Encontro foi autogerida e horizontal. Algumas reuniões virtuais foram realizadas para tomar decisões pontuais e, conforme as pessoas foram chegando a La Paz, elas foram se envolvendo com diversas tarefas como, por exemplo, o planejamento do cronograma ou as compras de alimentos. Depois de iniciado o Encontro, todos participantes colaboraram com as tarefas cotidianas (limpeza, cozinha etc.) e houve espaço para propor e realizar novas atividades. Decisões, como, por exemplo, a de não utilização de registro fotográfico ou áudio, de segurança, foram tomadas em conjunto entre todos. Outra decisão conjunta foi a de doar o dinheiro que sobrou do Encontro aos presos de Chile e México.
       Pouco menos da metade dos custos (comida, aluguel e transporte) foram cobertos por doações realizadas por indivíduos, jantares veganos e jornadas beneficentes, como as realizadas em Barcelona (Espanha) e São Paulo (Brasil).
      Somando a totalidade dos gastos, se dividiu pela quantidade de pessoas inscritas, em uma tentativa de fazer restar algum excedente para investir em causas de interesse geral. Portanto, a sugestão de colaboração voluntária por pessoa foi de U$10,00 (10 dólares), o que incluía a alimentação dos 5 dias (4 refeições diárias), aluguel do espaço e transporte de La Paz até o local do Encontro (3h de viagem e difícil acesso). Essa colaboração não era obrigatória e cada pessoa colaborou conforme sua possibilidade.
        Sempre levando em consideração os objetivos do Encontro, qualquer pessoa pôde sugerir e responsabilizar-se por uma atividade, sempre e quando expusesse os objetivos e fundamentos. Por este motivo, duas atividades foram negadas; uma de caráter de proteção/bem-estarista/legalista e outra de um grupo religioso. Infelizmente seis pessoas que haviam se comprometido a apresentar atividades não compareceram ao Encontro, quatro delas avisaram com antecedência, o que prejudicou significativamente o cronograma. Independentemente disso, as outras 16 atividades (e mais outras 5 que surgiram durante o Encontro), foram de grande importância e geraram intensos debates e aprendizados. Vale citar a crítica ao reformismo e ao capitalismo verde, bem como a vinculação da libertação animal com a libertação da terra, humana e total, que esteve presente na maioria das propostas.
         Sex. 21/9h – Ecologismo Revolucionário X Ambientalismo: O chamado ecocapitalismo, o desenvolvimento sustentável, as políticas verdes, tratados, convênios etc., são somente reformas, que por meio do discurso verde, continuam destruindo grande parte da natureza, animais, plantas, “recursos” com megaprojetos, do progresso e do desenvolvimento capitalista fazendo desaparecer etnias, animais, ecosistemas. É uma guerra silenciosa. Além de uma introdução sobre o tema, o grupo também comentou sobre o avanço do progresso na região ocupada pelo estado boliviano.
        Sex. 21/10h45 – Ecologia Descolonizada: Como em muitos lugares se conseguiu conservar uma forma de vida não antropocêntrica, resistindo à colonização e a imposição de novos costumes, políticas e religiões?
       Sex. 21/17h – O Sistema Tecnoindustrial e a dominação de nossas vidas: Se vivemos amontoados nas cidades, destruímos os “recursos naturais” do planeta, contaminamos o meio ambiente ou temos uma vida totalmente dominada e vigiada é única e exclusivamente porque o tecnossistema precisa para continuar progressando. O responsável pela apresentação não compareceu, porém um grupo de pessoas decidiu improvisar e seguir com a atividade programada.
         Sex. 21/19h – Apresentação do documentário “La Boa Negra” [A Jiboia Preta]: Em 19 de junho de 2010, novamente o rio Marañon (Peru) sofre um derramamento de petróleo. Este documentário não somente mostra o desastre ambiental causado pela extração de hidrocarbonetos na Amazônia Peruana, mas também serve como ponto de partida para criticar o modelo de desenvolvimento industrial. Com a presença dos realizadores do documentário, houve uma conversa informativa muito rica e um debate sobre as realidades destrutivas em lugares onde atuam empresas petroleiras.
       Sáb. 22/9h – Mapeamento de grupos de libertação animal no Brasil: Pesquisa que mostra como diferentes grupos abolicionistas no Brasil estão atuando, segundo as características de suas respectivas regiões. O responsável pela apresentação não compareceu, porém um grupo de pessoas decidiu improvisar e seguir com a atividade programada.
        Sáb. 22/10h45 – Apresentação do projeto “Red Verde por la Liberacion”: coletivo de La Paz, apresenta sua proposta para coordenar atividades em rede.
         Sáb. 22/15h – Espaço de intercâmbio de experiências: Em pequenos grupos, ativistas de diferentes latitudes compartilham suas experiências, acertos, erros, projetos etc.
         Dom. 23/10h45 – Apresentação do livro: Liberacion animal: Mas que Palabras: A libertação animal não é uma dieta e com a apresentação do livro se pretende debater sobre os diferentes métodos que podem ser utilizados para consegui-la. O livro espanhol foi reeditado pela editorial argentina Mas Que Palavras, e pode ser encontrado na internet.
         Dom. 22/15h – Libertação Animal ou Libertação Total?: São nossas atividades reformistas ou revolucionárias? Após a leitura do conto “O Navio dos Tolos”, realizamos uma reflexão a respeito. O conto foi lido entre todos e houve discussões, numa das quais se criticou o universalismo.
        Dom. 22/19h – Repressão e Solidariedade na luta pela libertação animal: Porque existem tantos ativistas presos? Como é possível sermos solidários com eles? Quais são as medidas que devemos tomar? Em uma conversa informativa, presos pela libertação animal e suas causas de todo mundo foram lembrados, assim como a campanha SHAC e formas de como ser solidário.
       Seg. 23/9h – Animais não  humanos, humanos e máquinas de hierarquização: Quais são os mecanismos que sustentam o especismo? Quais similaridades existem com o sexismo e/ou racismo? Coletivo CALEP de Bogotá apresenta o tema.
       Seg. 23/10h45 – Ecofeminismo: Por que será que os animais mais explorados na indústria alimentícia (vacas leiteras e galinhas botadoras) são fêmeas?
      Seg. 23/15h - Refletindo sobre o patriarcado: O que é o sistema patriarcal e de que maneira este repercute sobre nossas relações com nós mesmos e o resto da natureza? O tema foi discutido em grupos exclusivos de mulheres, de homens e também mistos.
Fóruns, debates, noturnos e informais: todas as noites, qualquer pessoa poderia sugerir um tema para debate (podendo-se aprofundar algum tema abordado durante a jornada ou qualquer outro) para ser discutido entre quem estivesse interessado. Temas como segurança cibernética, amor livre, crudivorismo, entre outros foram propostos e discutidos.
       Atividade Corporal: Nada melhor que começar a manhã com uma atividade física, por isso a partir das 7h foram realizadas oficinas de autodefesa, aikido e yoga.
Oficinas: Fitoterapia, pemacultura, autogestão da saúde feminina e outras oficinas que aconteceram de forma simultânea.

FONTE:

Especialistas criticam perdão a produtores que desmataram

Pela Agência da Câmara de Notícias

         Participantes do Seminário Código Florestal: Aspectos Jurídicos e Científicos, realizado na Câmara nesta tarde, sustentaram que a “espinha dorsal” das alterações do Código Florestal é o perdão de punições aos produtores rurais que desrespeitaram os limites de reserva legal e de áreas de preservação permanente (APPSão faixas de terra ocupadas ou não por vegetação nas margens de nascentes, córregos, rios, lagos, represas, no topo de morros, em dunas, encostas, manguezais, restingas e veredas. Essas áreas são protegidas por lei federal, inclusive em áreas urbanas. Calcula-se mais de 20% do território brasileiro estejam em áreas de preservação permanente (APPs). As APPs são previstas pelo Código Florestal. Os casos excepcionais que possibilitam a intervenção ou supressão de vegetação em APP são regulamentados pelo Ministério do Meio Ambiente.).

       No evento promovido pela Frente Parlamentar Ambientalista, o coordenador da campanha de Amazônia do Greenpeace, Paulo Adário, ressaltou que o principal problema do substitutivo do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) ao Projeto de Lei 1876/99, não é a redução da reserva legal ou das APPs. Segundo ele, pelo menos na Amazônia poucos produtores ainda têm o que desmatar. “O que se discute é anistia a quem já desmatou”, sustenta.

        Também para o deputado Ivan Valente (Psol-SP), o que pretendem os defensores da aprovação rápida do novo código é “livrar da ilegalidade aqueles que desmataram ilegalmente”. O parlamentar espera que o governo não ceda às pressões para votar o texto antes do prazo final para a averbação da reserva legalÁrea localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas. O tamanho da reserva varia de acordo com a região e o bioma: - Na Amazônia Legal: 80% em área de florestas, 35% em área de cerrado, 20% em campos gerais; - Nas demais regiões do País: 20% em todos os biomas., em julho deste ano.

Empréstimos

         O ex-secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente João Paulo Capobiano sustenta que toda essa discussão “decorre de uma questão clara, o (atual) Código Florestal está sendo cobrado onde ele mais é eficiente, no bolso”. Ele explicou que produtores inadimplentes com as normas ambientais não conseguem mais empréstimos agrícolas.

        O diretor do Instituto o Direito por um Planeta Verde, Gustavo Trindade, explica que o texto de Aldo Rebelo passa a considerar atividade rural consolidada qualquer atividade realizada em área de preservação permanente até 22 julho de 2008. Nessa data, segundo esclarece, foi publicado o decreto com as sanção para proprietários que deixassem de averbar reserva legal.

      Com essa alteração, segundo o especialista, ficam suspensas cobranças de multas e sanções administrativas a proprietários rurais que desrespeitaram a lei.
Debate

        O diretor do Greenpeace reclamou que, no debate sobre seu substitutivo, Aldo Rebelo ouviu 391 pessoas. Desse contingente, segundo ele, apenas 4% eram pesquisadores e 6%, representantes de ONGs. Os 90% restantes seriam produtores rurais e governo. “Espero que essa legislatura tenha mais respeito pelo meio ambiente”, disse.

      O deputado Alfredo Sirkis (PV-RJ) acredita que o contexto atual é favorável ao debate mais aberto da reforma do Código Florestal. Ele lembrou que desde a aprovação do texto na comissão especial, no ano passado, surgiram fatos novos, como “a campanha de Marina Silva, que recebeu mais de 20 milhões votos, de 20% eleitorado”.

        Sirkis ressaltou ainda que a então candidata à presidência Dilma Rousseff assumiu o compromisso de vetar “os aspectos mais criminosos do texto”. “Hoje vamos encarar a discussão em outro contexto, em outras condições, com um grau de ideias e alternativas diferentes”.

        O líder do PV, deputado Sarney Filho (MA), também comemorou a reabertura da discussão em torno da mudança do Código Florestal. “Saímos de uma declaração do presidente recém-eleito da Câmara de que em março iria colocar o relatório em votação de qualquer maneira e agora já admite constituir uma câmara de negociação”, sustentou.
Continua:
Íntegra da proposta:
Reportagem - Maria Neves
Edição - Regina Céli Assumpção

FONTE: